O Presidente da África do Sul reagiu às informações que circulam sobre possíveis ameaças de Moçambique relacionadas ao fornecimento de energia elétrica, no contexto das tensões provocadas pelos recentes casos de xenofobia contra cidadãos moçambicanos em território sul-africano.
Durante uma entrevista, o chefe de Estado sul-africano afirmou que Moçambique continua a ser um parceiro importante para a África do Sul, mas negou que o país dependa totalmente da energia moçambicana.
Segundo as declarações:
“Moçambique é um parceiro vital e estratégico da África do Sul, mas tenham na mente que 90% da energia elétrica da África do Sul não depende de Moçambique. Tirem isso da mente.”
A declaração surge depois de debates nas redes sociais e em alguns círculos políticos sobre a possibilidade de Moçambique reduzir ou cortar o fornecimento de energia elétrica como resposta aos ataques xenófobos registados na África do Sul.
Entretanto, especialistas recordam que, embora a energia proveniente da Hidroelétrica de Cahora Bassa tenha grande importância económica para ambos os países, ela representa apenas uma pequena parte do consumo total sul-africano.
Dados energéticos indicam que a África do Sul compra cerca de 60 a 70% da energia produzida pela Barragem de Cahora Bassa, localizada em Moçambique. Ainda assim, essa eletricidade corresponde a aproximadamente 4 a 5% do consumo total do país vizinho.
A maior parte da energia consumida na África do Sul continua a ser gerada internamente, principalmente através das suas centrais movidas a carvão.
Por outro lado, analistas afirmam que Moçambique também beneficia fortemente da parceria energética com a África do Sul, uma vez que a exportação de eletricidade representa uma importante fonte de receitas para o país.
Especialistas explicam que a relação energética entre Moçambique e a África do Sul funciona através de acordos comerciais estabelecidos há vários anos, principalmente envolvendo a Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), uma das maiores produtoras de energia da África Austral.
A energia gerada na barragem, localizada na província de Tete, é transportada por linhas de alta tensão até a África do Sul, onde parte dela é comprada pela empresa sul-africana de eletricidade, Eskom. Esse fornecimento ajuda a reforçar a estabilidade energética sul-africana, sobretudo em períodos de elevada procura.
No entanto, analistas afirmam que a África do Sul possui várias centrais próprias de produção elétrica, principalmente movidas a carvão, gás e energia nuclear. Por isso, mesmo que Moçambique interrompesse o fornecimento, o país vizinho continuaria a produzir grande parte da sua própria eletricidade.
Por outro lado, Moçambique também depende economicamente desta parceria, já que a venda de energia para a África do Sul gera receitas importantes para o Estado e para a Hidroelétrica de Cahora Bassa.
Economistas alertam que um eventual corte de energia poderia trazer consequências para ambos os lados, incluindo perdas financeiras, impacto no comércio regional e possíveis tensões diplomáticas entre os dois países.
Enquanto isso, cidadãos moçambicanos continuam a manifestar preocupação com os episódios de xenofobia na África do Sul, exigindo maior proteção e medidas concretas contra ataques a estrangeiros africanos.
Apesar das declarações mais duras que têm circulado nas redes sociais, fontes diplomáticas defendem que Moçambique e África do Sul deverão continuar a privilegiar o diálogo para evitar uma crise política e económica na região da África Austral.
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