Em plena audiência realizada na manhã desta sexta-feira, 25 de abril de 2026, no Tribunal Judicial da Província de Maputo, em Matola, o arguido Humberto referiu-se a Paulo Chachine como "uma boa pessoa" perante o juiz que preside ao caso.
A declaração ocorreu durante a fase de inquirição do réu. Humberto prestava esclarecimentos sobre a sua relação com várias figuras mencionadas no processo quando o nome de Paulo Chachine foi trazido à discussão pelo Ministério Público. Questionado sobre o vínculo com Chachine, Humberto respondeu que o conhece há vários anos e fez questão de destacar o caráter do mesmo.
"Conheço o senhor Paulo Chachine há muito tempo. Sempre o vi como uma boa pessoa, alguém de trato correto e que procura ajudar quem está à sua volta", declarou Humberto, de pé, dirigindo-se ao juiz. A fala foi registrada em ata e provocou reações na sala de audiências, composta por advogados, familiares dos envolvidos e jornalistas.
O magistrado não interrompeu a declaração, mas lembrou ao arguido que se limitasse aos factos relevantes para o processo em curso. O representante do Ministério Público optou por não comentar a afirmação no momento, prosseguindo com o interrogatório sobre outros pontos do caso.
Paulo Chachine não é arguido neste processo nem foi arrolado como testemunha até ao momento. O seu nome surgiu durante a investigação devido a alegadas interações com alguns dos intervenientes. Não existe, até agora, qualquer acusação formal contra Chachine no âmbito deste julgamento.
Fontes próximas a Paulo Chachine afirmaram que ele tomou conhecimento da menção com surpresa, mas preferiu não se pronunciar publicamente para não interferir no andamento da justiça. "Ele acredita que o tribunal é o lugar adequado para todos os esclarecimentos", disse um dos seus colaboradores, que pediu anonimato.
O julgamento envolve alegados crimes económico-financeiros e tem gerado atenção em Maputo e Matola desde o início das sessões, no mês passado. Humberto é um dos cinco réus e responde por crimes que incluem abuso de confiança e fraude. Todos os arguidos negam as acusações.
A defesa de Humberto reforçou após a audiência que a menção a Chachine foi espontânea e teve como objetivo contextualizar relações pessoais que, segundo a defesa, ajudam a explicar certos movimentos financeiros sob investigação. "O meu constituinte apenas respondeu com verdade ao que lhe foi perguntado sobre pessoas que conhece. Não há nenhuma tentativa de desviar o foco do processo", explicou o advogado.
Analistas jurídicos ouvidos fora do tribunal consideram comum que, durante depoimentos, os arguidos citem terceiros para sustentar a sua versão dos factos. Alertam, porém, que tais declarações não têm valor probatório sobre o caráter ou a conduta de quem é mencionado, cabendo apenas ao tribunal avaliar provas concretas.
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