Um novo caso de suspeita de desvio de produtos alimentares destinados às vítimas das cheias que afectaram a província de Gaza, está a gerar indignação entre famílias acolhidas no Centro da Escola Anexa, em Xai-Xai. As denúncias apontam para o envolvimento de agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), funcionários do Conselho Municipal, enfermeiros e professores.
Cerca de 98 famílias instaladas no centro afirmam enfrentar dificuldades recorrentes no acesso aos alimentos, causados pela má gerência na distribuição alegando dos donativos. Em algumas ocasiões, as vítimas disseram que chegam a passar a noite sem jantar devido à falta de alimentos.
Segundo os acolhidos, o caso mais recente envolve mais de 150 kits alimentares doados por uma igreja há cerca de duas semanas, contendo arroz, farinha, óleo e feijãoe entre outros produtos alimentares. A Miramar sabe que os produtos foram entregues ao Governo do Distrito de Xai-Xai para apoiar as vítimas das cheias, mas alegadamente acabaram por ser distribuídos a outras pessoas, agravando a situação no centro.
A Miramar contactou o Conselho Municipal, que alega prestar assistência às vítimas, mas esclareceu que não é responsável pela gestão dos alimentos ou dos armazéns de donativos.
Sobre o destino dos produtos, surgem versões diferentes: O Conselho da Escola Anexa afirma que, quando o camião chegou ao centro, foi informado que os kits seriam destinados às pessoas que prestam assistência às vítimas das cheias e não directamente às famílias afectadas.
Por outro lado, o Governo do Distrito de Xai-Xai confirma que os donativos deram entrada na instituição, mas nega qualquer desvio. Segundo o mesmo, o acordo com os doadores previa que as vítimas das cheias fossem as primeiras beneficiárias, podendo apenas os produtos remanescentes serem partilhados com pessoas envolvidas na assistência, como agentes da polícia, funcionários municipais e profissionais de saúde.
Ainda assim, as autoridades admitem que podem ter ocorrido falhas no processo de distribuição e garantem que o caso foi registado para o devido esclarecimento e eventual responsabilização.
Recorde-se que o distrito de Xai-Xai chegou a ter quatro centros de acolhimento, mas actualmente apenas um permanece activo, acolhendo cerca de 98 famílias que perderam totalmente as suas residências.

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