O anúncio da mobilização de 10 mil milhões de dólares junto ao Banco Mundial levanta várias questões que não podem ser ignoradas. Embora o discurso oficial destaque mais empregos e mais oportunidades, é fundamental perguntar: a que custo?
Moçambique já enfrenta uma dívida pública significativa, e recorrer a novos empréstimos pode agravar ainda mais a pressão sobre as futuras gerações. Cada dólar emprestado hoje terá de ser pago amanhã, com juros. Isso significa menos margem para investir em áreas sociais essenciais como saúde, educação e abastecimento de água, caso a economia não cresça no ritmo esperado.
Outro ponto crítico é a transparência. Como serão geridos os 6 mil milhões destinados ao investimento público? Que mecanismos de fiscalização estarão em vigor para evitar desvios e má gestão? E os 4 mil milhões para o sector privado beneficiarão realmente empresários nacionais ou favorecerão apenas grandes grupos económicos?
É importante investir em energia, agronegócio e turismo, mas o histórico mostra que nem sempre grandes financiamentos se traduzem automaticamente em melhorias reais para a população. O povo continua a precisar de hospitais equipados, estradas transitáveis, escolas de qualidade e acesso à água potável.
Portanto, mais do que celebrar valores milionários, o essencial é garantir responsabilidade, transparência e resultados concretos. Caso contrário, corremos o risco de transformar esperança em mais um ciclo de endividamento sem impacto real na vida dos moçambicanos.

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