ACABA DE ACONTECER😱Dinis Tivane Diz que Venâncio Pode ser...Ver mais


A cena política moçambicana continua marcada por controvérsias, confrontos e disputas jurídicas envolvendo o antigo candidato presidencial Venâncio Mondlane e o seu assessor próximo Dinis Tivane. Desde as eleições gerais de 9 de outubro de 2024 até aos meses mais recentes de 2025, os dois têm sido figuras centrais num clima de forte polarização nacional, com confrontos com as instituições do Estado, protestos populares e uma série de processos legais em curso. 

A Caminho de Um Novo Partido: A Criação do ANAMOLA

Após a conturbada participação nas eleições presidenciais de 2024, em que Mondlane reclamou fraude e rejeitou os resultados que deram vitória a Daniel Chapo apoiado pelo partido no poder, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), o ex-candidato deslocou o foco para a construção de uma estrutura política própria. Em 15 de agosto de 2025, as autoridades moçambicanas aprovaram oficialmente a criação do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), um projeto político encabeçado por Mondlane e anunciado ao público pelo seu assessor Dinis Tivane. 

Desde o seu lançamento oficial, o ANAMOLA experimentou um crescimento rápido de apoio popular: em apenas dez dias de funcionamento formal, o partido já tinha registado mais de 64 000 membros, segundo dados partilhados publicamente por Tivane. Essa expansão foi celebrada pela liderança, que definiu metas ambiciosas de angariar vários milhões de apoiantes nos próximos meses. 

Controvérsias e Processos na Procuradoria-Geral da República

A luta de Mondlane contra o resultado oficial das eleições terminou por gerar turbulências significativas com as instituições do Estado. Em março de 2025, o ex-candidato deslocou-se à Procuradoria-Geral da República (PGR) para ser ouvido como parte de uma série de investigações que ligam a sua ação às manifestações que seguiram as eleições de 2024. A administração judicial aplicou-lhe uma medida de coação de Termo de Identidade e Residência (TIR), considerada uma das medidas mais leves disponíveis, sob alegações de que poderia ser instigador das manifestações que ocorreram em várias partes do país. 

Paralelamente, a PGR também abriu processos contra Mondlane relacionados com a publicação de um autodenominado “decreto presidencial”, um documento que a Procuradoria considerou como uma usurpação de competências legais reservadas aos órgãos oficiais do Estado. Segundo o comunicado oficial, essa publicação violaria a Constituição, o que levou à instauração de processos criminais destinados a apurar responsabilidades. 


Dinis Tivane na Mira da Justiça

Junto com Mondlane, Dinis Tivane, seu assessor e porta-voz, também se viu envolvido diretamente nas investigações. Em abril de 2025, a PGR constituiu oficial e publicamente Tivane como arguido num processo relacionado com as manifestações pós-eleitorais, impondo-lhe igualmente medidas de identificação e residência que restringem parcialmente a sua circulação sem aviso prévio às autoridades. 

A figura de Tivane também foi palco de episódios de violência extra-jurídica. Relatos de segurança e meios de comunicação locais noticiaram disparos contra a residência do assessor político na madrugada de fevereiro de 2025, num ataque que levantou preocupação entre apoiantes e observadores da oposição sobre a escalada de tensões e a segurança física das figuras políticas envolvidas.

Clima Político e Protestos Populares

As tensões políticas não se limitaram aos corredores judiciais. Em vários momentos de 2025, manifestações massivas e confrontos com forças de segurança marcaram a vida pública no país. Em março de 2025, agentes policiais lançaram gás lacrimogéneo para dispersar apoiantes de Mondlane reunidos junto à PGR em Maputo, numa ação que expressou a crescente pressão sobre os caminhos institucionais e populares para resolver a crise pós-eleitoral. 

Além disso, episódios de protestos e revoltas populares ligadas à contestação dos resultados eleitorais foram relatados noutras regiões de Moçambique, às vezes acompanhados de confrontos com a polícia e sentimento de injustiça social entre as camadas mais jovens da população. 

Desafios Internos para o ANAMOLA

Ainda no contexto do fortalecimento da estrutura interna do novo partido, o primeiro Conselho Nacional do ANAMOLA realizado na Beira enfrentou desafios financeiros e de gestão, com custos acima do inicialmente orçamentado e dívidas a fornecedores que deverão ser negociadas e saneadas pela direção do partido, segundo informações divulgadas por Tivane. 


O Caminho Adiante

Enquanto os processos legais continuarem, e com Mondlane e Tivane a navegarem entre os tribunais e a implementação da organização do seu projeto político, Moçambique permanece num momento crítico de definição democrática. O comportamento das instituições, a resposta da sociedade civil e o desenvolvimento das lideranças de oposição como Mondlane e Tivane serão determinantes para os próximos capítulos da política nacional.

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