Risco de Formação de um Potencial Ciclone coloca o País em Alerta


RISCO CICLÓNICO VOLTA A SUBIR NO SUDOESTE DO ÍNDICO E COLOCA O PAÍS EM ESTADO DE ATENÇÃO

Tendências atmosféricas apontam para possível formação de sistemas nas próximas duas semanas, incluindo sinais no Canal de Moçambique

A actividade ciclónica no sudoeste do Oceano Índico, após semanas de relativa calmaria, volta a apresentar sinais consistentes de reactivação, segundo dados conjugados do Boletim Diário de Actividade Ciclónica, da Météo-France, e da mais recente análise de tendências sazonais divulgada pelo portal especializado CycloneOI, com base em produtos de previsão do ECMWF e informações de centros meteorológicos regionais.

De acordo com o Boletim de 7 de Janeiro, emitido às 15h14 (hora local da Reunião), não existem, neste momento, sistemas de baixa pressão activos sobre o sudoeste do Índico. No entanto, os meteorologistas alertam para riscos crescentes de formação de novos distúrbios tropicais nos próximos cinco a catorze dias, num contexto atmosférico progressivamente mais favorável à ciclogénese.

RETOMA APÓS LONGA CALMARIA

Segundo a análise publicada pelo CycloneOI a 4 de Janeiro de 2026, a chegada do Ciclone Grant, proveniente da bacia australiana, marcou o fim de um período de inactividade que se prolongava desde o ciclone Chengde, registado em Outubro de 2025. Durante esse intervalo, condições ambientais desfavoráveis impediram o desenvolvimento de sistemas tropicais relevantes no sudoeste do Índico, incluindo a área de influência de Moçambique.

Os especialistas sublinham que, após um início de época considerado precoce, a actividade ciclónica deslocou-se temporariamente para o sector sudeste do Índico, deixando a região ocidental – onde se insere o Canal de Moçambique – sob um “apagão” ciclónico pouco habitual para esta fase da estação.

CONDIÇÕES ATMOSFÉRICAS MAIS PROPÍCIAS

A tendência, contudo, começa a inverter-se. A análise do CycloneOI indica que a primeira quinzena de Janeiro será marcada pela convergência de dois factores determinantes:
– uma Oscilação Madden-Julian (MJO) em fase húmida;
– a presença de uma onda de Rossby equatorial.

Este padrão aumenta a probabilidade de surgimento de distúrbios atmosféricos iniciais, frequentemente associados ao nascimento de depressões tropicais. Em resposta a este enquadramento, os produtos de conjunto sugerem o desenvolvimento de um ou mais sistemas de baixa pressão ao longo da bacia, incluindo a eventual entrada do sistema 91S, uma perturbação ainda sem nome e em fase inicial de desenvolvimento na região australiana.

SISTEMAS EM MONITORIZAÇÃO

No curto prazo, o Boletim Diário de Actividade Ciclónica destaca a Tempestade Tropical Jenna, acompanhada pelo Departamento de Meteorologia da Austrália (BOM). Apesar de existir uma probabilidade significativa de o sistema atingir a bacia do sudoeste do Índico como depressão remanescente entre a noite de Quarta e Quinta-feira, os especialistas consideram baixa a possibilidade de reintensificação para tempestade tropical.

O mesmo boletim sublinha que, até ao momento, não se espera qualquer ameaça directa a áreas habitadas, incluindo Moçambique, no horizonte dos próximos cinco dias.

Mais a oeste, porém, os modelos indicam a possível formação de um novo sistema de baixa pressão ao sul do Arquipélago de Chagos, já no início do próximo fim-de-semana. O risco de evolução para tempestade tropical é classificado como moderado a partir de Sábado, 10 de Janeiro, embora ainda seja considerado prematuro antecipar impactos nos territórios ocidentais da bacia.

CANAL DE MOÇAMBIQUE SOB OBSERVAÇÃO

Para Moçambique, o elemento de maior relevância surge na visão semanal do ECMWF, analisada pelo CycloneOI.

Entre 5 e 12 de Janeiro, a probabilidade de actividade ciclónica é estimada entre 30 e 40%, com vários pontos críticos potenciais identificados, nomeadamente:
– a nordeste de Madagáscar;
– ao sul de Diego Garcia;
– na extremidade leste da bacia, associada ao sistema 91S.

Já no período de 12 a 19 de Janeiro, embora o sinal seja mais difuso, persistem probabilidades entre 10 e 30%, com áreas de interesse claramente identificadas no Canal de Moçambique, num eixo que se estende do nordeste de Madagáscar até às Ilhas Mascarenhas.

TRAJECTÓRIAS MAIS A SUL, MAS COM INCERTEZAS

Os meteorologistas referem ainda uma tendência emergente para trajectórias mais meridionais, com sistemas a deslocarem-se preferencialmente para latitudes mais a sul. Para Moçambique, este padrão traduz-se, nesta fase, numa vigilância acrescida sobre o Canal de Moçambique e sobre o sul do país, onde efeitos meteorológicos indirectos poderão manifestar-se mesmo sem impacto directo na costa. Ainda assim, a combinação com actividade oriunda da região australiana mantém um nível elevado de incerteza, sobretudo quanto à evolução dos sistemas e à sua eventual aproximação às zonas costeiras do sudeste africano.

O produto intra-sazonal do ECMWF relativo à energia ciclónica acumulada aponta para valores acima da média climatológica na semana de 5 a 12 de Janeiro e próximos ou ligeiramente acima do normal na semana seguinte, reforçando o cenário de actividade contínua.


Comentários