Durante uma recente conferência de imprensa, um membro sénior do Executivo moçambicano causou controvérsia ao afirmar que os funcionários públicos estão a fazer “muito barulho sem necessidade” relativamente a temas como salários, progressões, condições de trabalho e o pagamento do 13º salário.
Segundo o representante do Governo, há um esforço contínuo para melhorar a situação do funcionalismo público, mas “alguns setores preferem pressionar publicamente, mesmo sabendo que o Estado enfrenta limitações orçamentais e desafios económicos globais.”
As declarações foram recebidas com forte reação por parte dos sindicatos da função pública, que consideram a fala um claro desrespeito aos trabalhadores que mantêm os serviços básicos do país a funcionar, muitas vezes em condições precárias. “Não é barulho, é reivindicação justa”, disse um dirigente sindical, acrescentando que “os trabalhadores não podem continuar a ser tratados como descartáveis.”
A sociedade civil também já se manifestou, apelando ao Governo para que opte por um diálogo mais construtivo e evite discursos que possam acirrar os ânimos. Muitos lembram que os funcionários públicos foram dos mais afetados pelas mudanças introduzidas com a Tabela Salarial Única (TSU), que trouxe incertezas e cortes em várias categorias.
O ambiente entre Governo e classe trabalhadora torna-se, assim, cada vez mais tenso, e cresce a expectativa por um posicionamento mais conciliador por parte das autoridades nos próximos dias.

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